22 de maio de 2018

Resenhando Tolkien

Tolkien é uns escritores mais brilhantes de todos os tempos, talvez o mais. Contudo, a impressão que tenho é de que o reconhecimento está aquém da genialidade de sua obra. Uma pessoa que, ao longo de sua vida, desenvolveu sozinha toda uma mitologia, com descrições detalhadas e profundas de pessoas, acontecimentos e lugares em tramas complexas e profundas, sem perder a beleza da escrita e da narrativa, interligadas por conjuntos linguísticos completos. Não há palavras para descrever tamanha maravilha. Só lendo para sentir a profundidade de seu trabalho.

Há alguns anos, eu tinha lido a trilogia O Senhor dos Anéis, e a tinha achado muito interessante, mas acabei deixando de lado. Ano passado, contudo, decidi ler a obra inteira de Tolkien, ou pelo menos o máximo de livros que pudesse encontrar de sua autoria. Talvez eu não consiga ler a obra por inteiro: cada ano que passa, mais textos inéditos são publicados, fruto da miríade de rascunhos acumulada pelo autor. Por enquanto, meu "apetite" pelas obras está mais do que satisfeito, a ponto de poder escrever esse post.

Creio eu que as obras inéditas não irão "fugir" do que irei escrever aqui, ou mesmo as já publicadas que ainda não tive oportunidade de ler. É difícil o Tolkien se contradizer ou mesmo fugir das próprias ideias: uma contradição ou outra que possam aparecer seriam mais "alternativas" do que "conflitos" em si. Exemplo disso seria a própria história de Galadriel, em que se busca um motivo para sua ida à Terra-Média, não se ela haveria nascido lá, apesar de ter permanecido por eras.

A sensação de deslumbramento é a mesma que admirar o universo: você fica parado observando aquela vastidão, ao mesmo tempo em que se sente tão pequeno. É como se você entrasse em outra dimensão, conhecesse outras pessoas e novos lugares, admirando a paisagem, a relva, a estrada, as nuvens. Você não quer largar os livros, ler a história até o final de uma vez só, ao mesmo tempo que quer saborear cada palavra bem colocada. Em O Hobbit, por exemplo, abri mão de uma hora de sono para terminar de ler, porque eu não conseguiria dormir sem terminar.

As línguas, por mais interessantes que sejam, me causam confusão. Creio eu que seja pela falta de notas de rodapé explicando, sobretudo quando as falas são totalmente em outra língua. Existem cursos das mais diversas línguas de Arda (o "mundo da Terra-Média"), inserir uma tradução aproximada seria de muita valia. São elas que dão o verniz fantástico às histórias, que deixam de ser meros contos para ganharem a dimensão de relatos. Fazendo uma dedução lógica: quando você viaja para outro lugar, mesmo "outro mundo", os habitantes deste lugar falam outra língua. Compreendê-la é outro processo, mas acaba por se confundir com a visita em si.

Sugiro começar com a coletânea das cartas escritas por ele. O organizador, um dos seus filhos, tem o cuidado de não publicar assuntos pessoais e ressaltar aspectos interessantes sobre a obra. A partir desta coletânea dá para se ter uma ideia do quanto ele escreveu, e mesmo revela alguns detalhes sobre suas obras. Este livro é gigantesco, e pode ser desanimador a princípio, mas vale muito a pena, pois permite ler os outros livros com mais segurança e melhor entendimento.

Pessoalmente, sinto algo a mais em sua obra. Algo que não se resume a frases de efeito ou histórias rasas. Talvez grandioso seja a melhor descrição de sua obra. Se você permitir, algo dentro de você mudará após a leitura, sem que saiba explicar. É como se conversasse com o próprio coração do leitor, e mesmo que aqueles seres possam ter existido ou mesmo vir a existir, em algum lugar. É algo que você não consegue vulgarizar: permanece a majestade mesmo em memes, principalmente quando o assunto são as primeiras eras de Arda, e mesmo antes dela.

15 de maio de 2018

Fora do Facebook


Faz alguns meses que eu ruminava a ideia de deletar a minha conta do Facebook. Informações inúteis, quase nenhuma troca de conhecimento, ou mesmo pouca comunicação entre as pessoas. Meus maiores aprendizados na internet foram bem longe dele, por sinal. Só que faltava algo para eu sair definitivamente. Ainda não tinha resolvido a questão dentro de mim. Foi nesses dias que consegui refletir de forma profunda e dar fim à situação.

Há algum tempo eu havia comentado sobre minha experiência de não ter televisão em casa. Não ter Facebook talvez seja a nova versão dessa escolha: hoje em dia não ter TV em casa é comum - às vezes ter o aparelho para utilizar o Netflix ou Chromecast. Lembro que alguém havia me desafiado a sair do Face, como se minha escolha fosse um mero jogo de vaidade. Interessante que o pessoal Nova Era ao mesmo tempo que comenta sobre a radiação dos aparelhos eletrônicos não larga das suas redes sociais, dependendo desses mesmos aparelhos.

Ao contrário do que pode parecer, eu já tive várias redes sociais. Conheço cada uma delas, sobretudo as principais. Hoje em dia parece que o leque de escolhas encolheu drasticamente, entrando naquela questão ter ou não ter. Eu gostava do Orkut, sobretudo pelas comunidades, por conta de sua estrutura de fórum. Hoje em dia não existe nenhuma rede social com esse tipo de plataforma, o que dificulta a troca de informação e conhecimento.

Não, não vou escrever aqui contra as redes sociais, mas convidar para pensar sobre o aprendizado decorrente delas. Sei que muitas pessoas as usam sabiamente para encontrar clientes e parentes distantes, e isso não deve ser deixado de lado. Contudo, boa parte usa como um anestésico para a própria vida, como um teatro de faz de conta onde o usuário é o personagem que ele quer ser, menos ele mesmo.

8 de maio de 2018

Não existe tentativa


Taí um vício que eu tô tentando me livrar: de tentar fazer as coisas. Tentar já implica em si não conseguir, falha. Não digo em acertar de primeira, mas ir até o fim, fazer com a certeza de que vai dar certo. O erro é apenas uma descoberta de aquele jeito não chega lá. Isso parece um motivacional às avessas, mas apenas expõe a "preguiça" que as pessoas têm para superar determinadas situações: algumas usam a "tentativa" como desculpa para não tentar. Eu mesma faço isso às vezes.

Talvez alguns leitores tenham percebido que já usei outras vezes a palavra tentativa, e agora estou apresentando uma opinião diversa. Este layout infelizmente não exibe a data da postagem, ou seja, é difícil saber se a postagem é antiga ou nova. Contudo, cada leitor pode se identificar com uma "época" de postagem, ao longo desses anos. Ler apenas as últimas, achando que são as "melhores" pode ser um engano.

Como disse anteriormente, tentar implica falha. A maioria não percebe que isso pode ser mera desculpa ao invés de um mero contratempo. Aos poucos, a "tentativa" é cada vez menos eficaz, ao ponto de virar apenas uma frase: eu tentei, mas não consegui. Pronto, acomodou-se. Isso é totalmente diferente de dizer: eu analisei todas as alternativas, vi por diversos ângulos a situação, mas as coisas sairão diferentes do planejado inicialmente. Isso é aprendizado. Claro que muitos podem pensar que isso é mero jogo de palavras, que no fundo o significado é o mesmo, mas não: a diferença está na atitude em que cada uma implica.

Insistir é uma questão de atitude. Tentativas sempre falham. Fazer algo e não dar certo é totalmente diferente: aprende-se um caminho que não chega ao lugar previamente desejado, e que pode ser muito melhor. Por esse aspecto, fazer é muito melhor que tentar: traz uma carga maior de aprendizado e abre a mente a novos horizontes. Além de fugir do comodismo que alguns "motivacionais" acabam por pregar inconscientemente.

1 de maio de 2018

Sobre "lacrar" e "magia negra"


Não gosto do termo "lacrar". Ele se refere a operações "mágicas" de baixa frequência, para evitar que tal operação seja quebrada por outras pessoas. Só andar pela rua para trombar com cartazes e panfletos de pessoas fazedoras e desfazedoras - no nível de lixo que produzem, imagine a qualidade do trabalho - de operações "mágicas" ou "energéticas". Se há tanta propaganda, é porque há gente que procura, há gente que acredita que funciona - há gente que vive disso. O Facebook resolveu me sugerir não mais páginas sobre Reiki, mas sobre "magias" e afins.

Já estudei muito sobre - era o que correspondia ao meu nível (baixo) de consciência -, sobretudo na adolescência. Conforme fui desenvolvendo minha consciência (de verdade), fui deixando isso de lado naturalmente. Hoje vejo isso mais como uma brincadeira de criança entre crianças. Geralmente quem mexe com isso não sabe com o que está lidando, e não sabe as consequências que isso pode gerar. A pessoa destrói a própria vida achando que a está melhorando e não repara em um detalhe importante: ela fica dependente desse tipo de ação, que não lhe traz nenhum aprendizado.

Se funciona, digo que é até certo ponto: depende muito mais do "alvo" do que do "emissor". Não seria algo de "acreditar" ou não, mas o nível de consciência que "a vítima" tem. Ou seja: mesmo que uma pessoa não conheça, nem ao menos saiba do ocorrido, pode não acontecer nada com ela. Aí o fulano gasta uma fortuna para prejudicar o outro e simplesmente não dá certo. Não porque o "profissional" é ruim, é porque o alvo é evoluído demais mesmo: algo que deveria ser tomado de exemplo ao invés de virar motivo de inveja.

Você não precisa "se proteger" dos outros. Acho engraçado um reikiano ficar criando "escudos de proteção" - eu mesma já fiz isso, mas depois vi que não faz sentido algum. Tentamos nos proteger daquilo que temos medo, mas algo só faz dano se realmente aceitarmos que o faça. A consciência mostra a pequenez desse tipo de atitude. Ao invés de gastar tempo e energia tentando "lacrar" os outros, é muito melhor para si mesmo procurar crescer e se desenvolver. Logo você se livra disso.

24 de abril de 2018

A diferença entre Ser e Estar


Estou passando por alguns problemas nos quais não acho que é hora de escrever aqui. Se a coisa degringolar de vez, farei um post a respeito. Enfim, o vetor está trazendo um aprendizado importante e transformador: o que seria realmente o preconceito, a arrogância e mesmo a humildade. O preconceito está tão arraigado na sociedade que as pessoas não percebem que são preconceituosas. Até aí, parece aquele discurso padrão que se vê por aí. A diferença está no objeto considerado como alvo de preconceitos.

O post é sobre o Voluntariado do Emílio Ribas, que acabei publicando antes desse devido à temporalidade da questão.

A língua portuguesa possui uma diferenciação entre ser e estar, o que eu acho muito boa para trabalhar ideias, ao contrário do inglês (to be) e do francês (être), em que são considerados uma coisa só. O Ser indica maior temporalidade do que Estar, ou seja, o que você é, é e ponto - praticamente imutável. Quando você está algo, aquilo vai mudar, hoje ou amanhã. Muitos confundem o Estar com Ser, tentando inflacionar-se perante os demais, quando no fundo se é quase nada. E a maioria das pessoas é assim.

E o que é Ser e o que é Estar? No aspecto social, o que você é basicamente é a sua formação: seus estudos e práticas. Faculdades, cursos, carreira. No aspecto pessoal, os seus hobbies, habilidades, e aspectos da sua personalidade. Elas tendem a não mudar. Por mais que você perca a prática, ou seu trabalho não seja da sua área de formação, você não deixou de ser aquilo. Já o que você está (soa esquisito, mas gramaticalmente correto) é seu trabalho, principalmente, e mesmo um estado de espírito (estou animada, triste, brava, etc). Um dia ele irá acabar e você estará outra coisa.

Exemplo: eu sou historiadora. Eu sou formada em História, mas estou trabalhando em outra área. Estar trabalhando em outra área não interfere no eu ser historiadora. E quando deixar de estar neste emprego, não deixarei de ser historiadora, mesmo que nunca venha exercer a profissão de fato. Outro exemplo é o advogado: ele está advogado, mas quando se aposentar, apenas será um bacharel em Direito aposentado. Se continuar advogando, ele continua estando advogado - ele precisa de um aval para exercer a profissão, no caso, da OAB.

A sutileza do ser e estar é ofensiva para alguns, pois vem à tona a mediocridade da pessoa. Quantas pessoas estão isso e aquilo sem ser nada propriamente dito? Ao invés de se esforçar para melhorar a cada dia, o que dá muito trabalho, diga-se de passagem, a pessoa acaba por tentar anular o que a outra é, nivelando por baixo. Aí que entra o preconceito: isso é preconceito. Um preconceito sutil, já que é mascarado pela vaidade de falsa humildade.

Falar que não faz diferença um curso livre ou um curso profissionalizante, ou mesmo um curso de línguas para proficiência ou para encher currículo: isso é tão preconceituoso quanto dia da mulher, com o mesmo agravante de ninguém perceber. Por mais que você se esforce para fazer um bom trabalho, sempre haverá o risco de ser nivelado por baixo pelo profissional chulé, que o fará (inconscientemente ou não) para não perder espaço. Por isso a qualidade das coisas de hoje em dia é tão rasa.

Esforce-se para Ser. Se o outro achar arrogante de sua parte, é o peso por forçar a elevação de padrão. Conforme a pessoa evolui, sobretudo perto do nível da Aceitação (350), ela começa a puxar para cima as pessoas que estão a sua volta. Isso é muito desconfortável para quem não quer evoluir: isso justifica o esforço para nivelar por baixo ou mesmo anular ou boicotar quem se destaca. Não se lamente porque o outro não se esforça: a vida dará um jeito, por mais que ele resista.