10 outubro 2017

Sobre a Caridade


Caridade é um conceito complexo e nobre. É algo bem visto pelas pessoas, mas nem sempre bem feito. Ajudar quem precisa de ajuda, independente de quem seja, ou qual situação, é caridade. O importante nessa prática é não esperar por uma devolutiva, seja ela direta ou indireta. A confusão está, sobretudo, em dois aspectos: o primeiro, a pessoa doa por vaidade sem perceber (apenas para se dizer caridosa); segundo, quase sempre a pessoa espera uma devolutiva para si.

Muitos pensam que a caridade é apenas para pessoas em situações extremas, em situação de miséria, mas não. Ajudar o colega de serviço, sem esperar nada em troca, mesmo dando tudo errado, é caridade. O importante é estender a mão quando o outro precisa (e quando o outro o aceita, só que nem sempre), independentemente de quem o outro seja. Os pobres são cuidados, os ricos são esquecidos. Caridade não é só comida e cobertores. É uma palavra amiga, um gesto gentil, sem esperar nada em troca (nem um obrigado).

A compaixão é o sentimento por dentro da caridade. É parte do amor incondicional - fazer o bem sem olhar a quem. Cresce e aquece o coração, dando a verdadeira sensação de bem-estar. Não diria ser útil, mas fazer parte do Todo. É algo que exige discrição, e não ostentação - esta é vaidade, que leva à frustração. Nem sempre o resultado vai ser bonitinho: pode dar tudo errado. Nem sempre aquilo que a pessoa pediu era aquilo que ela queria, ou mesmo o que ela precisava - mas o aprendizado era necessário para o momento.

Como dito antes, caridade não é só fazer doações de dinheiro, alimentos ou vestuário. Uma pessoa pode ser caridosa apenas por ouvir os colegas e mediar conflitos, sem nunca ter dado um centavo a um morador de rua. Ela não é obrigada - não se sabe o passado, não se sabe a intenção. Não é questão de merecer ou não, é a primordial questão de escolha, livre-arbítrio e programação. E uma pessoa não é ruim porque se afastou ou passou direto por alguém "necessitado". Todos têm problemas e todos têm escolhas.

Infelizmente, os ajudados acabam por se acomodar na situação de carência. Para alguns, é mais fácil pedir dinheiro do que ter um emprego e uma vida social. É escolha deles. Não pense que existe miséria porque existe riqueza ou vice-versa: a abundância existe para todos, mas não significa que todos serão milionários. E não o serão porque o escolhem, não porque um grupo impõe isso. Fora que é perceptível o vitimismo presente neste grupo social dos vulneráveis - tratar poderia ser uma boa alternativa, mas recai sobre a questão do livre-arbítrio.

No caso, não é uma questão de esperar uma devolutiva, mas ajudar por sentir que aquilo é necessário - mesmo que não faça nenhum sentido à primeira vista. O vitimismo acaba por envenenar as pessoas, forçando uma divisão que algumas são boas e que algumas são más por conta disso. Mas e quem apenas ajuda para suprir apenas a própria carência, para poder dormir mais tranquilo? A primeira pessoa a ser ajudada, cuidada, é ela mesma. Só é possível ajudar o outro de forma efetiva quando se aprende a receber, quando o ego está evoluído ao ponto de não precisar mais de atenção.

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