10 janeiro 2017

A falsa humildade


Humildade é um sentimento complicado. É quando o orgulho é suprimido por inteiro, abrindo-se o coração ao outro. No entanto, isso vem sendo mal interpretado há séculos, e quem realmente o é acaba sendo considerado justamente o oposto. Humildade nada tem a ver com humilhação ou simplicidade, inclusive este conceito é demasiado subjetivo para um propósito tão elevado. Pessoas arrogantes existem em toda a escala social - das mais pobres às mais ricas.

Humildade é se conhecer a ponto de reconhecer seus defeitos e qualidades - sim, e o potencial acerolático também. A pessoa que é evoluída o é e ponto, se ela sempre tem razão, não é pela sua presunção e sim pela sua experiência. Quase nunca a pessoa terá razão ou estará certa - sempre dependerá de outrem. E mesmo quando a situação lhe é favorável, os outros podem simplesmente não aceitar.

Humildade não é ser pobre, não é abrir mão do que se tem pelo outrem e ficar sem, muito menos ficar se humilhando. O que é simples para um não é simples para outro, e mesmo a necessidade de rebuscamento e complexidade é algo inerente a cada indivíduo. O que pra uns é luxo, exagero, para outros é apenas a própria identidade. Aceitar que o outro é diferente de você (ou, para os mais evoluídos, é um outro aspecto de você) também faz parte da humildade.

Humildade, enfim, é reconhecer e aceitar quem você é, e aceitação é algo muito complicado para a mentalidade atual. A falsa humildade, assim como a falsa modéstia, é um sentimento nocivo baseado na vaidade e no vitimismo. O verdadeiro humilde não depende da complacência alheia, nem busca convencer o outro de sua situação, pelo contrário: aceita-se como realmente é e busca superar-se sempre.

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