17 outubro 2017

Reiki ao Planeta - por que não recomendo


Nessa iminência de guerra mundial, pediram-me para enviar Reiki ao planeta para acalmar os ânimos - fazer com que as pessoas caíssem na real e deixassem de lado essa ideia "boba". Parece algo muito bonito de se fazer, mas, analisando a fundo, é algo arriscado e, na minha opinião, desnecessário. Cada pessoa é em si um reflexo do planeta, ou seja, se o planeta vai mal, em você a coisa não está boa também. O que se tem hoje em dia é uma agressividade reprimida, pronta pra explodir a qualquer momento, que ao invés de ser liberada, é mais e mais reprimida - afinal, "não se pode ser violento".

O envio de Reiki coletivo é comumente ensinado no Shinpiden (Reiki IIIa), mas pode ser praticado mesmo no Shoden (Reiki I). Para alguns mestres, enviar Reiki ao planeta é uma obrigação equivalente a recitar os Cinco Princípios todos os dias. No entanto, como toda aplicação, o envio de Reiki ao planeta traz à tona problemas que estão enraizados há muito tempo, nos quais as pessoas (em sua grande maioria) não têm consciência para aprender com eles e superá-los. De certa forma, você fica responsável por essa "bagunça" - mais do que já o é.

A situação do mundo neste momento é um reflexo de como está o interior das pessoas: explosivo. Qualquer coisa, dita ou feita, já causa alvoroço. Não se busca entender o que aconteceu, mas logo tomar uma providência. Não é questão de pensar antes de fazer, mas sim de agir pensando, consciente da situação. Há muita raiva acumulada e mal trabalhada. É perceptível o desejo que algumas pessoas têm em agredir outras. Será que tentar manter um mundo "em paz" seria uma forma de se tentar manter o status quo, ou mesmo de evitar ter que se adaptar a uma nova situação?

Cuidar de si mesmo é a melhor forma de promover a paz mundial. A paz interior ressoa no ambiente e o harmoniza. É comum pessoas falaram que se sentem bem na presença de determinados indivíduos: é a paz que eles irradiam, e que pode ser alcançada por todos. Isso não significa que sejam pessoas não-violentas: quando necessário, partem pra cima de quem for. Ter mais disciplina com a própria evolução, independentemente do caminho que escolher, surte muito mais efeito, apesar de ser menos aceitável entre as pessoas.

10 outubro 2017

Sobre a Caridade


Caridade é um conceito complexo e nobre. É algo bem visto pelas pessoas, mas nem sempre bem feito. Ajudar quem precisa de ajuda, independente de quem seja, ou qual situação, é caridade. O importante nessa prática é não esperar por uma devolutiva, seja ela direta ou indireta. A confusão está, sobretudo, em dois aspectos: o primeiro, a pessoa doa por vaidade sem perceber (apenas para se dizer caridosa); segundo, quase sempre a pessoa espera uma devolutiva para si.

Muitos pensam que a caridade é apenas para pessoas em situações extremas, em situação de miséria, mas não. Ajudar o colega de serviço, sem esperar nada em troca, mesmo dando tudo errado, é caridade. O importante é estender a mão quando o outro precisa (e quando o outro o aceita, só que nem sempre), independentemente de quem o outro seja. Os pobres são cuidados, os ricos são esquecidos. Caridade não é só comida e cobertores. É uma palavra amiga, um gesto gentil, sem esperar nada em troca (nem um obrigado).

A compaixão é o sentimento por dentro da caridade. É parte do amor incondicional - fazer o bem sem olhar a quem. Cresce e aquece o coração, dando a verdadeira sensação de bem-estar. Não diria ser útil, mas fazer parte do Todo. É algo que exige discrição, e não ostentação - esta é vaidade, que leva à frustração. Nem sempre o resultado vai ser bonitinho: pode dar tudo errado. Nem sempre aquilo que a pessoa pediu era aquilo que ela queria, ou mesmo o que ela precisava - mas o aprendizado era necessário para o momento.

Como dito antes, caridade não é só fazer doações de dinheiro, alimentos ou vestuário. Uma pessoa pode ser caridosa apenas por ouvir os colegas e mediar conflitos, sem nunca ter dado um centavo a um morador de rua. Ela não é obrigada - não se sabe o passado, não se sabe a intenção. Não é questão de merecer ou não, é a primordial questão de escolha, livre-arbítrio e programação. E uma pessoa não é ruim porque se afastou ou passou direto por alguém "necessitado". Todos têm problemas e todos têm escolhas.

Infelizmente, os ajudados acabam por se acomodar na situação de carência. Para alguns, é mais fácil pedir dinheiro do que ter um emprego e uma vida social. É escolha deles. Não pense que existe miséria porque existe riqueza ou vice-versa: a abundância existe para todos, mas não significa que todos serão milionários. E não o serão porque o escolhem, não porque um grupo impõe isso. Fora que é perceptível o vitimismo presente neste grupo social dos vulneráveis - tratar poderia ser uma boa alternativa, mas recai sobre a questão do livre-arbítrio.

No caso, não é uma questão de esperar uma devolutiva, mas ajudar por sentir que aquilo é necessário - mesmo que não faça nenhum sentido à primeira vista. O vitimismo acaba por envenenar as pessoas, forçando uma divisão que algumas são boas e que algumas são más por conta disso. Mas e quem apenas ajuda para suprir apenas a própria carência, para poder dormir mais tranquilo? A primeira pessoa a ser ajudada, cuidada, é ela mesma. Só é possível ajudar o outro de forma efetiva quando se aprende a receber, quando o ego está evoluído ao ponto de não precisar mais de atenção.

03 outubro 2017

O que move este mundo


Infelizmente se engana quem pensa que este mundo é regido por valores elevados. Quem está atento à "realidade" das notícias, do Big Brother, e das fofocas de WhatsApp e Facebook percebe que as duas coisas que movem este mundo são a vaidade e o medo, sendo aquele a principal consequência deste. Não adianta negociar, dialogar, as pessoas agem porque se sentem coagidas a tal - conscientemente ou não.

Dependendo com quem se conversa, ou você é iludido, enganado, ou foi tempo gasto em vão. Se impor pela força torna-se questão de necessidade. A força é a única coisa com a qual falsidade não consegue se impor. Por isso que hoje em dia ser forte é algo tão condenado: é considerado algo extremado, desnecessário à civilização, onde todos são iguais. Além desta última premissa ser falsa, o que se percebe é um acovardamento das pessoas, que buscam resolver as coisas ora com jeitinho, ora com maldade.

É possível perceber isso nas brincadeiras de hoje em dia: uma pessoa ofende claramente outra. Além da ofensa direta, a ofendida não pode se defender, pois era uma brincadeira, algo sem relevância. Se realmente fosse algo sem relevância, não seria nem dito - e se fosse algo importante, outro tom seria dado. O outro extremo - pessoas que se ofendem por qualquer coisa - oriunda da vaidade de querer ser o centro das atenções - a pobre vítima do mundo. Quando se ignora quem se vitimiza, este se revolta por não ser o centro das atenções. Quem quer superar a situação não adota postura de vítima, se esforça para fugir dela.

Quem realmente tem por norte valores elevados acaba por ser crucificado neste mundo, seja no sentido figurado, seja no sentido literal. Interessante notar a raiva natural que sentem por essas pessoas, sobretudo nas pesadas críticas que são feitas, que tem por fim apenas desvalorizar. Não adianta: qualquer atitude pode gerar raiva em outrem, por mais elevada que esta seja e mesmo não havendo a intenção. É como o outro recebe: ninguém quer ser puxado pra cima, forçado a evoluir - tendência é puxar para baixo.

Isso não significa que a pessoa deva desistir de seguir seu norte, pelo contrário: uma atitude elevada buga o sistema e faz as coisas andarem no rumo certo. Nadar contra a corrente parece um esforço hercúleo à primeira vista, mas é a corrente que se encontra em sentido errado. Ter consciência e trabalhar estes fluxos pode facilitar muita coisa: o medo e a vaidade podem, e devem, ser usados para algo melhor.

26 setembro 2017

O sofrimento é uma ilusão?


Questionaram-me por que eu vivo sorrindo, com a justificativa de que eu estaria tentando mascarar algum sofrimento. Achei uma pergunta interessante, e me pus a refletir para responder. É um exercício muito gostoso de ser feito, pois dá permite uma autocrítica sincera e produtiva.

Primeiramente, o sofrimento é real, ele existe sim, isso não pode ser negado. Negar tira todo o controle da situação, ela continua ocorrendo sem consciência da pessoa. Aceitar que o sofrimento existe é um passo importante na progressão da consciência, pois permite que possa ser tomada uma atitude efetiva a respeito.

O sofrimento é algo ruim? Depende da postura adotada, da resposta que é dada. Sofrer o sofrimento ajuda? Até certo ponto sim, é o chamado luto, necessário para seguir em frente. O luto é algo difícil de lidar, apesar de ser um nível de consciência relativamente baixo. É aquele baque inicial de algo inesperado, geralmente algo negativo.

Há um limite para o luto - como tudo na vida, ou quase tudo. Sofrer ajuda a por o excesso pra fora, mas e depois? Continuar a reclamar, a sofrer, chorar e se martirizar mais agrava a situação do que a alivia. Depois do luto não adianta mais sofrer - é como um doente que se recusa a melhorar. Martirizar-se não o fará uma pessoa melhor - talvez mais chata, rs.

Responder com alegria não é mascarar o problema - claro, se isso é feito de forma consciente. Quando há consciência, não há sofrimento, as coisas estão onde devem estar. É o contentamento e não a conformação. É agradecer e confiar no momento presente. Como se não existissem problemas, e mesmo que o sofrimento seja uma ilusão - ou uma questão de postura.

Se alguém acha que o outro está buscando mascarar seu sofrimento através de uma alegria falsa, a questão inverte: não seria o questionador a projetar seu próprio sofrimento no outro e não encontrar devolutiva? Ou mesmo incomodar-se com uma postura mais serena do outro? As pessoas em nível de consciência menor tendem a não suportar pessoas em nível de consciência mais elevado - o efeito Matrix. Isso as impede de conhecer coisas novas e aprofundar o conhecimento e a conexão consigo mesmo.

19 setembro 2017

Milagres são muito bonitos na Bíblia


Não pense nesse post como algo cristão. A ideia é refletir sobre a hipocrisia que existe em relação ao sobrenatural, aos milagres de forma geral. Muitos adorariam que tudo caísse do céu, e a vida fosse resolvida num passe de mágica - só pensar nas frases relacionadas à loteria. Entretanto, quando um milagre realmente acontece, ele é rejeitado e às vezes repelido pela própria pessoa que o desejou. As coisas acontecem não do jeito que se quer, mas do jeito que é necessário.

As pessoas tendem a se acomodar com seus problemas. Por mais que queiram que estes sejam resolvidos, no fundo, lá no fundo mesmo, o desejo é de que o problema permaneça. Motivo? Ele traz vantagens: a pessoa conhece seus mecanismos e sabe se adaptar ao mesmo, além de que resolvê-lo é criar um novo problema - as pessoas não gostam de novos problemas, pois estes são desconhecidos. Problemas e traumas são prazerosos: há quem diga que liberam neurotransmissores nos quais a pessoa se vicia, como uma droga.

Outra questão: pessoas querem que seus problemas sejam resolvido da forma como elas acham melhor. Se fosse do jeito delas, já teriam resolvido. O grande nó está em aceitar que as coisas não são do jeito que se quer, o que não significa que não sejam boas. Interessante notar que quando um problema some, ou é resolvido sem a anuência da pessoa, esta simplesmente se revolta. Depois de reclamar, reclamar e reclamar, alguém de saco cheio põe um fim à situação. Novos problemas surgem, mas a ladainha é a mesma de sempre.

Ninguém acredita em milagres, ou não os aceita, pelo menos em sua própria vida. Por mais que queiram esse contato sobrenatural, ao trombar com um, as pessoas não percebem ou o esnobam. Porque ele é simples, porque ele não tem nada demais. Milagres seriam coisas naturais mas incompreensíveis, ou mesmo inaceitáveis. O próprio processo evolutivo é sem graça, pelo menos nesse sentido - mas é tão profundo e tão gostoso que se torna mágico. E quando alguém vê esse processo ocorrendo em outrem, quer que aconteça com ela - bom, só a parte do encanto.

E quando alguém conta algo fantástico que aconteceu? Se não for alguém próximo ou mesmo aberto a ouvir, vai pensar que é história de pescador, ou mesmo que está contando vantagem. Vem aquela enxurrada de perguntas "lógicas" buscando alguma explicação "plausível" para o ocorrido. Quando não há, a história foi mal contada. Não é questão de acreditar vendo ou acreditar sem ver: é estar aberto ao que não se conhece. Como chamar de confuso algo que a própria pessoa não compreende?