20 junho 2017

A dificuldade da aceitação


Aceitar é diferente de conformar-se. Já falei sobre em outro post. E por ser algo complexo e profundo, aceitação e conformação acabam se confundindo. Para Hawkins, a Aceitação vem antes da Razão, e antes da Aceitação vêm a Neutralidade e a Disposição. É um caminho longo e árduo, mas muito gostoso, pois muita coisa é deixada pra trás, como aquela sensação que se tem após um barulho constante cessar.

Interessante notar que aceitação e razão são conceitos meio que temidos pelas pessoas. Teme-se aceitar e se conformar com tudo que está em volta, travando-se e deixando de evoluir. Teme-se a razão por pensar que se deixa de lado as emoções, tornando-se um ser frio e desprovido de amor ou compaixão. É bem por aí, mas não é bem isso. Aceitar tudo o que está em volta não é algo ruim, é algo bom e necessário, afinal não se pode mudar os outros. A razão é saber ponderar além da emoção, levando ela em conta, mas no devido lugar. É necessária a razão para se chegar ao Amor, que é logo depois. Que coisa, não?

No entanto, os níveis de consciência são entrelaçados. Trabalhar níveis elevados em níveis inferiores é mais comum do que se imagina, e esse escalonamento é mais um efeito didático do que prático. Ou seja, a Aceitação está presente mesmo quando a pessoa está em um nível de consciência abaixo da Coragem (que seria um nível neutro). Aprender a aceitar é uma forma de evoluir na qual as pessoas precisam aceitar. Aceitar para compreender - sem julgamentos. Aceitar põe o passado no lugar dele - no Passado - e abre o presente para ser vivido.

Jogar o passado pra trás é complicado pois fica um buraco a ser preenchido. E o que se pode ser preenchido? A pessoa é livre para escolher: pode ser qualquer coisa. Isso é tão incrível que dá até medo: o que eu vou por no lugar? Porque mesmo o vazio meditativo é alguma coisa. É mais fácil se apegar ao passado e jogar a culpa nos outros, do que pegar esse espaço todo e fazer o que se sempre quis e sonhou. É algo realmente além da compreensão da maioria das pessoas.

13 junho 2017

Divergente

Um livro realmente viciante e interessante. Fiquei de tal forma absorta por ele que não conseguia parar de ler. O interessante é que a história em si não é muito profunda, e o excesso de objetividade deixa a desejar em diversos pontos. Para um livro tão ruim ser tão bom, é porque o que importa é realmente bom. A ideia foi trabalhada a seu tempo, para agradar sua geração - para mim, ela foi mal aproveitada, mas deixa pra lá. Dizer que é uma versão mais atualizada de Matrix também seria exagerado, mas é uma boa analogia.

A trama gira em torno do domínio mental entre as pessoas das cinco facções existentes na sociedade: Abnegação, Audácia, Erudição, Franqueza e Amizade. São perfis sociais que trabalham em áreas específicas de forma a promover a paz e evitar a guerra. Entretanto, pessoas são pessoas, e algumas delas querem poder. Para tanto, irão se utilizar as sutilezas mentais para conseguir seu intento. Ao contrário de Harry Potter, onde as casas de Hogwarts formam perfis psicológicos positivos, que incentivam as pessoas a darem seu melhor, as facções de Divergente são como rotulações nas quais as pessoas se limitaram para não se destruírem.

Além das cinco facções, existem os sem-facção: os párias da sociedade. Por algum motivo, essas pessoas não pertencem a nenhuma facção (como o nome diz) e são excluídas socialmente. Vivem de empregos pequenos e da caridade, conduzida principalmente pela Abnegação. Também existem os Divergentes: pessoas cujos perfis extrapolam uma facção, demonstrando características além da média. São considerados perigosos, pois, ao contrário dos membros de facções serem facilmente manipuláveis em nome de seus grupos (inclusive com biotecnologia), estes não são controláveis, formando seus próprios juízos. Engraçado que dependendo da palavra a se utilizar, a imagem de um Divergente parece realmente perigosa.

Os Divergentes nada mais são que pessoas que transcendem a própria mente e os padrões sociais estabelecidos. São conscientes de suas ações e do todo, livres de qualquer tentativa de manipulação. Olhar por este ângulo torna o livro fascinante (e mesmo viciante). Enquanto os membros das facções vestem-se e pensam dentro de determinados padrões (não que sejam iguais, mas previsíveis), os Divergentes acabam por pegar elementos dos mais diversos grupos aos quais tendem. Não significa que tenham características de todas as facções, mas são abertos aos diversos grupos. Não é um padrão da moda (por isso o livro não colou tanto), a pessoa nasce e se desenvolve daquele jeito.

Outra sacada legal é o mecanismo da simulação. Através de substâncias injetáveis e programas de computador, a pessoa passa por simulações de situações como forma de autoconhecimento e superação. Como se entrassem em uma Matrix, mesmo vivendo em uma - um sistema dentro de outro sistema? Mesmo sendo algo simulado, as sensações são reais. E quando se passa por uma situação real, após ter vivido uma simulação da mesma? Talvez seja isso que diferencie: a consciência. É ela que permite as modificações das simulações - já que as pessoas comuns apenas a vivem como mais uma, enquanto os Divergentes a moldam ao seu bel-prazer. Lembra Neo modificando a Matrix: o sistema não é real, mas o que é real?

Talvez as pessoas não gostaram de Divergente porque ela trabalha de forma simples um conjunto de ideias que é considerado complexo ou mesmo restrito a um grupo de pessoas que se acham especiais. Algo abordado pelos clássicos da literatura e do cinema que não deveria ter sua versão teen. Também há a questão da qual as pessoas não gostam de ser questionadas se aquilo que vivem é realmente real, vivendo absortas em uma ilusão criada por elas mesmas, cheia de sofrimento e alegrias efêmeras.

06 junho 2017

A ignorância seria mesmo uma bênção?


A resposta é não, e ponto. Poderia acabar o post aqui, mas aí seria mais prático escrever no Facebook, além do quê a ideia é convidar à reflexão. Após uma situação estafante, onde se descobre tanta coisa amarga, esse mote acaba por resetar a informação recém-inserida na mente. Quem viu o primeiro filme da trilogia Matrix pode já ter imaginado como tudo seria após ingerir a pílula azul, ou mesmo se fosse possível reverter os efeitos da pílula vermelha (mesmo que a simples ingestão da pílula não cause grandes efeitos por si só). Um dos personagens tenta voltar à Matrix, e quase põe a perder toda a missão do Nabucodonosor, expondo a questão de que viver na Matrix seria realmente negativo.

Pode-se criar a partir disso três tipos de visão: a ignorância é uma bênção (o caminho de ida), viver imerso na realidade (o que é realidade?), aprenda a forma-esqueça a forma (o caminho de volta). Por mais que o terceiro tipo seja praticamente igual ao primeiro, a diferença é um fator fundamental, apesar de aparentar ser tão pequeno: a questão do sofrimento. Conhecer o sofrimento e aceitá-lo é outra forma de aprenda a forma, esqueça a forma: é ter consciência do que ocorre, mas isso não causar danos. Isso não se alcança apenas se isolando e aceitando "de fora": deve-se imergir no mundo e conhecer a realidade - e o sofrimento também.

Não adianta iluminar-se em um lugar tranquilo, se esta "iluminação" é quebrada na primeira buzina de carro. Essa é a primeira visão de que falei: a calma vem do desconhecimento (aquilo não existe, aquilo não me alcança). Infelizmente, as pessoas continuam a seguir este caminho achando que este é o certo. Ele é "certo" apenas no começo, mas não significa que ele é "necessário". Essa sensação é "ilusoriamente boa" (lembra do nível de consciência do Orgulho? Falsa sensação de bem-estar), e muitos negam-se a sair dela. Quando a vida bate à porta, negam-na ainda mais, como um círculo vicioso.

Matar um leão por dia é a expressão referente à rotina das pessoas de forma geral. Sofre-se, vive-se, conhece-se. O conhecimento, a verdade, a realidade, é preferível à ilusão e à mentira. Entretanto, continua-se a viver a ilusão do sofrimento. Alguém precisa fazer o trabalho sujo. É daqui que saem conceitos reais, sólidos das coisas. Mas ainda há cegueira: as pessoas ofendem-se por qualquer coisa, e acham que qualquer coisa pode ofender, atingir. Apesar de parecer um estágio inferior ao anterior, é o contrário: é mais fácil abrir os olhos ao que está além, abrir à mente e despertar.

A terceira visão é muito parecida com a primeira, pode-se usar as mesmas palavras, e a diferença é tão sutil que fazer uma diferenciação com palavras é muito delicado. Resumindo: aquilo tudo que as pessoas da primeira visão buscam encontram na terceira de forma profunda e efetiva. O sofrimento passa, mas não se sofre. Mesmo que alguém tenha a intenção de ofender, ferir, não há resistência. Sabe-se que a verdade é amarga, mas não rejeita o gosto, não se opina sobre. Não seria uma frieza emocional: as emoções estão lá, mas no papel delas, como uma criança que obedece aos pais e não o contrário.

Buscar saber, buscar sofrer com isso, é o que torna a pessoa forte. E faltam pessoas fortes no mundo. Não se deixar nivelar por baixo - porque uma pessoa não o quer, não significa que os outros não devam crescer. Ignorância ilude, voa-se sem aprender a voar: a queda é muito mais dolorosa, apesar do voo despreocupado e confortável. E é possível ter um voo despreocupado e confortável sabendo voar, dependendo apenas da própria capacidade de adaptar-se ao vento.

30 maio 2017

Coitadismo social


Abordei este assunto em outros posts de forma indireta e mais suave, afinal, esse fenômeno apenas é reflexo do que vem ocorrendo no interior das pessoas nos últimos anos (décadas? Séculos?). O coitadismo social é fruto do vitimismo exacerbado das pessoas gerando mudanças sociais. Empoderamento, opressão, orgulho (ah, o orgulho!) são alguns dos termos usados hoje em dia por pessoas que são sobretudo vítimas de si mesmas, e acabam por projetar em outrem a causa de sua situação.

A gravidade desse fenômeno é percebida quando se sugere a evolução da pessoa: adaptação e aceitação são conceitos rejeitados ferozmente por pessoas vitimistas, já que a tiram do estado de vítima e o peso da responsabilidade se faz sentir. Hoje em dia, ter responsabilidade é um ato de coragem pouco incentivado, valorizado geralmente por pessoas mais experientes de vida - idosas ou não. Mesmo os idosos "de idade" de hoje em dia não possuem mais a maturidade dos anos vividos, tentando apegar-se na tênue ideia de juventude - e achando que têm razão de alguma coisa só por ser "mais velho".

Boa parte dos programas sociais são frutos desse coitadismo social: não se abre possibilidades de crescimento e evolução - sobretudo em um aspecto pessoal. É uma muleta na qual a pessoa se apoia e desaprende de andar. Outros sistemas sociais são vistos como opressivos justamente por forçar a pessoa a sair do estado de vítima e tomar uma atitude quanto à própria vida. Ao contrário do que dizem por aí, adaptação e aceitação são conceitos maduros e importantes, ligados a níveis elevados de consciência.

Ofender-se por qualquer coisa e querer dar lições de moral é outro sinal desse vitimismo. Apenas a pessoa e seus "amigos" estão certos - os questionamentos são vistos com repulsa e não como uma oportunidade de aprendizado. Lembre-se que o diálogo é uma forma de reprogramação e evolução. Repulsas coletivas são cada vez mais comuns, como se não existisse um indivíduo distinto no meio de uma massa. Por falar em níveis elevados de consciência, pessoas nesta frequência podem "anular" massas e massas de pessoas involuídas, "nivelando por cima". Estar perto de um indivíduo evoluído traz uma sensação de bem-estar profundo.

Sair do estado de vitimismo requer muito, muito esforço. É gostoso fazer o papel de vítima constantemente, dizer-se oprimida pelo sistema. O sistema atua sobretudo na mente da pessoa - ela que permite a opressão, por assim dizer, para manter este estado. Vi em um documentário a informação de que as pessoas viciam-se nos neurotransmissores de suas emoções (por isso se apegam a elas), buscando situações para ter uma constante liberação dos mesmos. Não é questão de assumir os problemas de todo mundo, mas apenas de assumir os próprios problemas (o que já é bastante coisa) e resolvê-los. Não são os outros que deixam ou não, somos nós mesmos.

23 maio 2017

Os 17 níveis de consciência humana, segundo David Hawkins

Ainda não terminei de ler Power vs. Force, mas estou com a leitura bem adiantada, o que permite escrever sobre o ponto principal da obra e refletir sobre. Se jogar na internet, encontrará uma tradução (meio zoada) desse trecho do livro, sem comentários ou mesmo reflexões sobre. As pessoas simplesmente copiam-e-colam achando bonitinho e fica por isso mesmo. Resolvi ir além, ler a obra inteira (dei uma pausa para me dedicar ao Reiki), e tomar minhas próprias conclusões.

Os níveis de consciência humana foram estruturados como parte de um estudo de 30 anos na área da cinesiologia, explicados com detalhes no livro anteriormente citado. As pessoas oscilam em média 0,4 pontos em sua vida, progredindo ou regredindo, devendo lembrar que quanto mais avançado um nível, mais complicado é um avanço, ou seja: 0,4 no nível do Medo é muito menor que 0,4 no nível da Aceitação. Há a questão também de que a pessoa desloca sua consciência da Vergonha ao Orgulho de forma muito fácil, por serem níveis muito baixos e indefinidos da escala.

Um ponto que Hawkins não observa é que as pessoas podem não fazer uma evolução positiva como analisado, e sim voltar-se às Trevas e ao Caos. Só que já é tão complicado trabalhar a progressão para a Luz, que falar de outros tipos de progressão pode causar uma confusão desnecessária.


A escala Hawkins é logarítmica, e a melhor forma que encontrei para representá-la é pela espiral logarítmica de Bernoulli, apelidada por ele de spira mirabilis (espiral maravilhosa) - diferente da proporção áurea da espiral de Fibonacci. Os níveis mais baixos encontram-se no centro da espiral, e conforme a pessoa progride, a espiral torna-se mais e mais aberta. Além da consciência da pessoa estabilizar-se, tornando-se mais difícil regredir de nível, e mesmo de progredir. Caso haja uma queda de nível, o processo de recuperação ao nível anterior é mais lento e complicado.

O ponto crítico da escala é o nível da Coragem (200). Abaixo deste nível, há a predominância de um ímpeto "primitivo", que Hawkins chama de Força. Os níveis do Medo e da Raiva caracterizam-se por impulsos egocêntricos em busca da autossobrevivência, e o do Orgulho expande o motivo de sobrevivência para outras pessoas. Chegar ao nível da Coragem traz à tona o bem-estar das pessoas em volta. Os níveis acima, que Hawkins chama de "Poder", a pessoa não deixa de cuidar de si, mas o bem-estar do outro também é levado em consideração. Não se deixe enganar: pessoas de baixo nível de consciência que praticam "caridade", apenas buscam o bem-estar de si mesmas e não do outro verdadeiramente.

Enumerando-se os níveis, do mais baixo ao mais elevado têm-se: Vergonha (20), Culpa (30), Apatia (50), Luto (Tristeza/Pesar) (75), Medo (100), Desejo (125), Raiva (150), Orgulho (175), Coragem (200), Neutralidade (250), Disposição (Boa-Vontade) (310), Aceitação (350), Razão (400), Amor (500), Alegria (540), Paz (600) e Iluminação (700-1000). Sim, a Iluminação seria o apogeu da consciência que algumas culturas pregam. Não é algo distante ou apenas para alguns escolhidos. Requer esforço dia após dia para superar a si mesmo. Não significa que a pessoa deixa de ser ela mesma, mas desenvolve o próprio potencial.

Cada nível de consciência tornar-se-á um post no blog. Essa era a proposta que eu tinha há alguns anos e acabei deixando de lado. É uma das linhas-guia do blog, assim como a trilogia Matrix. O Reiki é um caminho para o autodesenvolvimento também, muito mais que uma terapia "para os outros". Os níveis de consciência do Hawkins ajudam a orientar qualquer caminho com este objetivo, mostrando "qual o próximo passo".